quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Conto de João Fonseca Fernandes, 5ºD, Escola Básica Carolina Beatriz Ângelo. Ilustração de Catarina Flor.

O melhor presente de Natal

Na pequena e acolhedora aldeia dos meus avós, protegida pela Estrela que conduziu o pastor até à Serra mais alta de Portugal Continental, vivia uma menina que amava animais mais do que tudo na sua vida. O seu pai tinha coelhos, gatos, cães e galinhas e, apesar de gostar de todos eles, o sonho dela era ter um pavão. Tinha visto aquele animal pela primeira vez numa visita de estudo e, desde então, sonhava ter um.
Como os seus pais não lho compraram, imaginava ser a bela ave e agia como ela, abrindo os braços para mostrar as cores da sua roupa. Quando as pessoas mais velhas e os seus colegas a viam fazer aquele gesto, riam-se dela e da sua graça. Lá no fundo, aquela menina, de olhos brilhantes e cabelo rebelde, gostava que se rissem dela, pois sentia que ela trazia alguma alegria às pessoas da aldeia.
Um dia a minha avó, que era sua vizinha e que conhecia o amor dela pelos animais, chamou-a para ir ver os gorduchos e ternurentos cãezinhos da Violeta, mas a feroz mãe, que não consentia que se aproximassem das crias, ferrou-lhe o dente na mão. Preocupada, a minha avó levou-a para casa para lhe desinfetar a mão. Enquanto fazia o curativo, a minha avó perguntou-lhe o que desejava de prenda para o Natal, já que faltavam poucos dias para a chegada deste importante dia. Empolgada, a criança disse-lhe que já tinha escrito a carta ao Pai Natal e que não poderia partilhar com ela o seu desejo. Mas a minha avó, que observava o comportamento da criança há muito tempo, percebeu que ela queria o tão desejado pavão. Falou como o meu avô e decidiram oferecer-lhe o animal.
Na noite de consoada, à meia-noite, fomos até ao madeiro de Natal, onde se reuniam todas as famílias da pequena aldeia. Os meus avós avistaram a criança e, discretamente, soltaram o pavão que começou numa correria louca. Todos ficaram admirados com o acontecimento, porque não percebiam donde vinha tal animal, pelo contrário, a menina de olhos grandes, ficou muito alegre, pois percebeu que aquele presente era para ela e, ao mesmo tempo, espantada…ela não tinha a certeza que o Pai Natal concretizasse o seu enorme desejo.
Com aquela correria, toda o pavão, assustado com a confusão, tocou acidentalmente com a sua asa na majestosa fogueira, pegando fogo. Reparando nas suas dificuldades, a menina que tanto desejava a bela ave, pegou nela e foi a correr enfiá-la dentro do chafariz, provocando uma gargalhada geral.
A partir desse dia, os seus amigos, quando a viam, brincavam com ela, dizendo “Lá vem a Maria a pavonear-se”.



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