quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Conto de Juliana Cristina Martins Estrela, 9ºA, Escola Básica de S. Miguel. Ilustração de Catarina Flor.

Befana e a Estrela Mágica

Era uma vez, numa pequena vila de Itália, uma velhinha chamada Befana. Ela era uma velhinha solitária, pobre e humilde. Para conseguir um pedaço de pão para se alimentar, vendia rebuçados. As pessoas olhavam-na de lado, pensavam que ela era uma bruxa. Mas, pobre coitada! Não tinha nem onde dormir! Ela estava cansada de tanta tristeza e sofrimento, queria ir para um lugar melhor. Queria uma luz!
A noite de Natal estava a bater à porta e, mais uma vez, Befana ia passar essa data tão especial na rua, sem um lar para se aquecer e, este ano, sem comida. Todo o dinheiro que tinha gastou-o para comprar ingredientes para os seus rebuçados. Estava desesperada! Há muitos anos que não se via um inverno tão frio como aquele e não tinha como se aquecer.
Era véspera de Natal, a neve caía, estava toda a gente reunida à mesa, não se via uma única alma pelas ruas daquela vila. Befana caminhava pela escuridão. A fome apertava cada vez mais. Então, decidiu parar para descansar, sentou-se num banco. Lá ao fundo, viu uma menina descalça que apenas vestia um vestido roto e cujas lágrimas a descerem dos seus olhos, banhavam o seu bonito rosto. A velhota não pensou duas vezes e foi ter com a menina. Ao chegar junto dela, viu o desespero na cara daquela pobre criança, então disse:
- Como te chamas, minha filha?
- Eu sou Lúcia. E a senhora quem é? - perguntou a menina.
- Sou Befana. O que se passa, minha rica filha, porque choras?
Lúcia explicou a situação a Befana. A pequena tinha-se perdido da sua mãe e agora não sabia onde a poderia encontrar. A pobre velhota prontificou-se a ajudá-la. Enquanto procuravam, as duas foram conversando.
- Então, Lúcia, onde vives? Talvez a tua mãe esteja em casa. - referiu Befana.
- Eu e a minha mãe não temos casa, vivemos nas ruas desta vila.
- Não te preocupes! Vamos encontrá-la num instante.
Continuaram a procurar, mas a neve caí cada vez com mais intensidade e tiveram de parar para se abrigarem. A pequena Lúcia tremia de frio, então a velhota tirou o seu cachecol e envolveu nele a pequena. A neve acalmou um pouco e as duas decidiram continuar em busca da mãe de Lúcia. Enquanto isso:
- Então pequenina, já sabes o que vais pedir ao Pai Natal? - perguntou Befana.
- Queria muito uns rebuçados de limão, são os meus favoritos! E a senhora o que desejou?
- Queria conhecer o paraíso.
- Um dia também gostava de lá ir. - proferiu a pequena.
De repente um vulto surge ao fundo. A pequena reconhece a mãe e os olhos de ambas enchem-se de alegria. Befana sente que cumpriu a sua missão. Depois de muitos abraços e muitos beijinhos entre mãe e filha, Befana agarra nos últimos rebuçados que tinha e entrega-os a Lúcia, dizendo:
- Aqui tens, minha filha, o teu desejo de Natal foi concretizado, tens a tua mãe e alguns rebuçados de limão.
Eis que uma estrela, passa pelo céu e ilumina aquela noite escura. Befana fica maravilhada com o espetáculo no céu e quando olha para baixo vê as duas transformarem-se em anjos. A menina, já não vestia o mesmo vestido roto, agora levava um vestido cor de rosa cheio de brilhantes. O cabelo dela reluzia, os seus olhos brilhavam. A mãe dela levava um vestido azul comprido e as suas mãos já não estavam sujas. Uma luz, descia do céu e nas costas das duas cresciam umas asas enormes que se arrastavam no chão.
- Está na altura do seu desejo se tornar realidade - disse a mãe da menina, estendendo a mão para Befana.
A velhinha tornou-se numa bela e elegante jovem, com os cabelos compridos e com um vestido dourado. E juntas as três entraram de mãos dadas no paraíso, onde foram felizes para sempre.



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