quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Conto de Tomás de Oliveira Paredes, 5ºC, Escola Básica Carolina Beatriz Ângelo. Ilustração de Catarina Flor.

Um Natal invulgar!

Era uma vez uma família que estava espalhada pelo país. Todos os anos, visitavam-se no Natal, em casa dos avós, numa aldeia da Beira. Uma parte da família tratava da alimentação e a outra parte preparava o local da festa e decorava-o.
Houve um ano em que não decoraram a casa dos avós a tempo. Quando as crianças chegaram lá e não viram o local enfeitado, ficaram muito tristes e preocupados. De seguida, quem não decorou, explicou-lhes o que tinha acontecido: não havia decorações de Natal nas lojas porque tinha havido um problema com os fornecedores e os lojistas venderam tudo o que tinham no armazém.
Todos ficaram perplexos e tentaram arranjar soluções. Um dos rapazes, triste, disse que não havia soluções más e que tinham de arranjar algo que melhorasse e alegrasse o espaço. Nesse momento, a irmã do menino referiu que poderiam fazer as suas próprias decorações e assim também viveriam o verdadeiro espírito de Natal.
Todos concordaram e começaram a formar grupos de trabalho. Reuniram materiais tais como papel colorido, cartolinas, cola, purpurinas… tudo o que poderia ser necessário para criar enfeites.
Os mais novos eram os mais criativos e entusiastas, começaram a fazer estrelas de vários tamanhos, grinaldas com pipocas, bolas de esferovite, anjos com papel jornal… Parecia uma fábrica natalícia familiar tal como a do Pai Natal que se vê nos filmes.
Os mais velhos preocuparam-se em montar a árvore de Natal. Cortaram um pinheiro no pinhal familiar e fizeram o presépio com musgo. As figuras do presépio foram esculpidas pelo avô que sempre teve muito jeito para trabalhar a madeira.
Os adultos ficaram responsáveis por fazer a ceia de Natal e organizar a sala de jantar: colocaram uma bela toalha natalícia, tiraram o serviço de jantar da avó, guardado para essas ocasiões, os belos copos de cristal e o faqueiro que já era
da bisavó. Ornamentaram a mesa com velas e ramos de pinheiros. Que cheirinho entrava na sala! Da cozinha, vinha o cheiro a canela das filhoses e das rabanadas acabadas de fazer. Toda a família estava a trabalhar para que a Noite de Natal fosse o melhor de sempre! Todos participavam com entusiasmo e dedicação e ninguém estava ligado ao seu telemóvel.
Quando todos terminaram as suas tarefas, reuniram-se à volta da árvore e ajudaram o mais novo a colocar a estrela de Natal feita de pauzinhos e enfeitada com fios de lã, no topo da árvore. Para dar início aos festejos, iluminaram a árvore com umas luzes antigas da avó. Por fim, acenderam a lareira.
Quando chegou a hora de jantar, a família reuniu-se à mesa e durante alguns minutos ficaram todos a olhar uns para os outros a admirar a beleza daquela sala. Todos tinham um brilho nos olhos, uma sensação de tranquilidade e de paz pairava no ar. Estavam em família, estavam felizes!
Por volta da meia- noite, após se terem deliciado com as iguarias natalícias tais como o bacalhau cozido com batatas, o polvo à lagareiro, o arroz doce caseiro, as rabanadas, as filhoses, a aletria e os chocolates, viraram-se de novo para a árvore de Natal e viram o Pai Natal, por trás da árvore, escondido, a colocar os presentes que eles mereciam após esse dia intenso de trabalho e de partilha.
As crianças deliciaram-se ao abrir os presentes, a avó começou a cantar músicas de Natal e todos a acompanharam. Por sugestão do mais novo, agasalharam-se e foram em grupo partilhar a sua alegria, cantando à porta dos seus vizinhos, que abriram a porta das suas casas para ouvir o coro natalício.
Os adultos ficaram felizes ao ver que esse dia tinha permitido a união de todos e que os mais novos tinham aproveitado o dia para fazer trabalhos manuais, para conversarem em família, deixando de lado a tecnologia.
Foi sem dúvida um Natal invulgar, um Natal em que todos participaram para que tudo fosse perfeito!



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