Um Natal invulgar!
Era uma vez uma família que estava espalhada pelo país. Todos os anos, visitavam-se no Natal, em casa dos avós, numa aldeia da Beira. Uma parte da família tratava da alimentação e a outra parte preparava o local da festa e decorava-o.
Houve um ano em que não decoraram a casa dos avós a tempo. Quando as crianças chegaram lá e não viram o local enfeitado, ficaram muito tristes e preocupados. De seguida, quem não decorou, explicou-lhes o que tinha acontecido: não havia decorações de Natal nas lojas porque tinha havido um problema com os fornecedores e os lojistas venderam tudo o que tinham no armazém.
Todos ficaram perplexos e tentaram arranjar soluções. Um dos rapazes, triste, disse que não havia soluções más e que tinham de arranjar algo que melhorasse e alegrasse o espaço. Nesse momento, a irmã do menino referiu que poderiam fazer as suas próprias decorações e assim também viveriam o verdadeiro espírito de Natal.
Todos concordaram e começaram a formar grupos de trabalho. Reuniram materiais tais como papel colorido, cartolinas, cola, purpurinas… tudo o que poderia ser necessário para criar enfeites.
Os mais novos eram os mais criativos e entusiastas, começaram a fazer estrelas de vários tamanhos, grinaldas com pipocas, bolas de esferovite, anjos com papel jornal… Parecia uma fábrica natalícia familiar tal como a do Pai Natal que se vê nos filmes.
Os mais velhos preocuparam-se em montar a árvore de Natal. Cortaram um pinheiro no pinhal familiar e fizeram o presépio com musgo. As figuras do presépio foram esculpidas pelo avô que sempre teve muito jeito para trabalhar a madeira.
Os adultos ficaram responsáveis por fazer a ceia de Natal e organizar a sala de jantar: colocaram uma bela toalha natalícia, tiraram o serviço de jantar da avó, guardado para essas ocasiões, os belos copos de cristal e o faqueiro que já era
da bisavó. Ornamentaram a mesa com velas e ramos de pinheiros. Que cheirinho entrava na sala! Da cozinha, vinha o cheiro a canela das filhoses e das rabanadas acabadas de fazer. Toda a família estava a trabalhar para que a Noite de Natal fosse o melhor de sempre! Todos participavam com entusiasmo e dedicação e ninguém estava ligado ao seu telemóvel.
Quando todos terminaram as suas tarefas, reuniram-se à volta da árvore e ajudaram o mais novo a colocar a estrela de Natal feita de pauzinhos e enfeitada com fios de lã, no topo da árvore. Para dar início aos festejos, iluminaram a árvore com umas luzes antigas da avó. Por fim, acenderam a lareira.
Quando chegou a hora de jantar, a família reuniu-se à mesa e durante alguns minutos ficaram todos a olhar uns para os outros a admirar a beleza daquela sala. Todos tinham um brilho nos olhos, uma sensação de tranquilidade e de paz pairava no ar. Estavam em família, estavam felizes!
Por volta da meia- noite, após se terem deliciado com as iguarias natalícias tais como o bacalhau cozido com batatas, o polvo à lagareiro, o arroz doce caseiro, as rabanadas, as filhoses, a aletria e os chocolates, viraram-se de novo para a árvore de Natal e viram o Pai Natal, por trás da árvore, escondido, a colocar os presentes que eles mereciam após esse dia intenso de trabalho e de partilha.
As crianças deliciaram-se ao abrir os presentes, a avó começou a cantar músicas de Natal e todos a acompanharam. Por sugestão do mais novo, agasalharam-se e foram em grupo partilhar a sua alegria, cantando à porta dos seus vizinhos, que abriram a porta das suas casas para ouvir o coro natalício.
Os adultos ficaram felizes ao ver que esse dia tinha permitido a união de todos e que os mais novos tinham aproveitado o dia para fazer trabalhos manuais, para conversarem em família, deixando de lado a tecnologia.
Foi sem dúvida um Natal invulgar, um Natal em que todos participaram para que tudo fosse perfeito!

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